18 de abr de 2011


LINGUAGEM FIGURADA

01. LINGUAGEM FIGURADA E FIGURA DE LINGUAGEM: Nesse estudo de linguagem figurada ou figuras de linguagem consideram-se também as mudanças de sentido, a escolha de novas expressões. As formas lingüísticas são símbolos e valem pelo que significa.
São ruídos bucais, mas ruídos com significados. É a constante referência mental de uma forma que determina o significado que eleva o elemento de uma linguagem, ou língua.

I. Linguagem Figurada: Dentro de um grupo social há vários modos de se usar a Língua Portuguesa.
Dentre eles, há um que se institui como língua padrão, e que corresponde ao modo de falar das pessoas mais instruídas, mais cultas dentro do grupo social. É a partir do uso da língua padrão que a gramática estabelece as normas daquilo que seria falar ou escrever corretamente, ou seja, as normas da língua culta.
Essas "normas gramaticais" estão sempre sujeitas a "desvios", tanto na língua falada quanto na escrita. Desvio que podem ocorrer por falta de conhecimento que o falante tem das normas gramaticais, e isto configura "erro gramatical ou o vício de linguagem". Por outro lado, pode ser provocado pelo usuário que – conhecendo as normas gramaticais – desvia-se delas para conferir novidade e forçar a expressão e a mensagem. Neste caso, o desvio configura o que se costuma chamar de linguagem figurada ou figuras de linguagem.
Com isso, fica explicito, portanto, que as palavras se transformam de acordo com as circunstâncias e as sutilezas que o usuário, individualmente, quer que elas exprimam. Assim, na criação de um trabalho literária, não utilizamos apenas a linguagem convencional, padrão, mas também, recriamos, alterando os sentidos, enfatizando os aspectos sonoros, lançando mão, enfim, da linguagem figurada.

É comum distribuírem-se as figuras de linguagem em quatro categorias:
1. Figuras de Palavras – quando empregamos um termo com sentido diferente do usual, do dicionarizado.
• Comparação: Metáfora; Catacrese; Sinestesia; Metonímia; Sinédoque; Antonomásia (ou Perífrase).
2. Figuras Sintáticas ou de Construção – quando há repetições, omissões de termos, desvios em relação à concordância entre os termos da oração e a ordem em que estes termos aparecem na frase.
• Silepse: Elipse; Zeugma; Assíndeto; Polissíndeto; Anáfora; Pleonasmo; Hipérbato; Anacoluto; Anástrofe; Sinquise; Polissíndeto; Assíndeto; Epístrofe; Anadiplose; Diácope; Epânodo; Epizeuxe; Antimetábole (ou Quiasmo).

3. Figuras de Pensamento – quando a palavra sofre uma alteração, um desvio intencional que se realiza na esfera do pensamento.
• Antítese: Paradoxo; Ironia; Perífrase; Eufemismo; Gradação, Apóstrofe; Litotes; Alusão; Personificação (ou Prosopopéia); Exclamação; Interrogação; Reticência; Oximoro; Antanáclase; Epanortose; Preterição; Gradação; Clímax; Anticlímax; Concatenação; Hipérbole.
4. Figuras Fonéticas ou de Som – quando os sons se destacam expressivamente: Aliteração, Assonância, Paronomásia, Onomatopéia. Esta divisão está sujeita a variações, de forma a estabelecerem-se vínculos estruturais e de significação entre as várias figuras. Este procedimento traz, em relação ao padronizado, uma grande vantagem em termos de consulta e memorização.
A linguagem figurada não é exclusiva do texto literário (prosa ou poesia), pois ela é indispensável à própria comunicação. A linguagem figurada faz parte da retórica – arte e técnica de tornar um discurso mais convincente. Porém, isso não significa que alguém não possa usar as figuras inconscientemente. Tal fato ocorre muito na linguagem coloquial. Você, provavelmente, utiliza muito dessas figuras de linguagem quando fala ou escreve alguma coisa. Pois, a capacidade de criação não é exclusiva dos grandes gênios. Quando falamos ou escrevemos, estamos, mesmo sem perceber, colocando em prática nosso potencial criativo.

II. Linguagem Figurada ou Figuras de Linguagem: Esses recursos servem para conferir maior expressividade, causar uma melhor impressão diante do leitor.
1º- As figuras de linguagem são fugas, ou desvios das normas convencionais, não se encontram em padrões normais de comunicação. Tudo isso para se conseguir maior elegância ou ênfase na expressão. O uso de figuras de linguagem é um dos recursos empregados pra valorizar o texto, tornando a linguagem mais expressiva.
É um recurso lingüístico para expressar de formas diferentes com experiências comuns, conferindo originalidade, emotividade ou poeticidade no discurso. A utilização de figuras revela muito da sensibilidade de quem as produz, traduzindo particularidades estilísticas. Quando a palavra é empregada em sentido figurado, não denotativo, ela passa a pertencer a outro campo de significação, mais amplo e criativo, ou seja, no sentido conotativo.
2º- A figura de linguagem, resumidamente, é uma palavra que você usa no sentido denotativo, semântico, ou seja, não é o real sentido da palavra estilística e semântica. A Estilística Semântica procura estudar a significação ocasional e expressiva das formas gramaticais do léxico, aproveitando o seu caráter polissêmico. É mais propriamente um estudo morfossemântico, já que se baseia na relação denotação-conotação, estudada como um fenômeno da Estilística Morfológica.
3º- Portanto, o único fenômeno da Estilística Semântica é a linguagem figurada. Que possui as seguintes figurada de linguagem.

Metáfora, metonímia, catacrese e antonomásia:
(a) Metáfora: Emprega-se uma palavra fora de seu sentido normal, por efeito de comparação. Exemplo: Ele vive na boca da noite. Boca tem o significado de dentro.
(b) Metonímia: Transporta-se o nome de um elemento para outro, em vista de uma interdependência entre os dois. Exemplo: Li Jorge Amado. Veja que o nome do escritor substituiu a obra.
(c) Catacrese: Transporta-se o nome de um elemento a outro, em vista de uma relação de semelhança, embora não se perceba esse transporte ou por esquecimento ou por ignorância. Exemplo: Embarcou no avião. O verbo embarcar deveria ser apenas para embarcações.
(d) Antonomásia: Substitui-se um nome por outro ou por uma expressão que facilmente o identifique. Exemplo: Meu sonho é conhecer a Grande Maçã. Nova Iorque é identificada pela Grande Maçã.

III. Figuras de linguagem mais usadas:
1. Antítese e Paradoxo: Paradoxo é a aproximação de ideias contrárias. Ex. Já estou cheio de me sentir vazio. Antítese consiste na exposição de palavras contrárias. Ex.: Ele não odeia, ama. Na explicação do professor Paulo Hernandes fica evidente a diferença entre estas duas figuras de linguagem frequentemente confundidas: "Como podemos ver, na antítese, apresentam-se ideias contrárias em oposição. No paradoxo, as ideias aparentam ser contraditórias, mas podem ter explicação que transcende os limites da expressão verbal".
2. Catacrese: É a figura de linguagem que consiste na utilização de uma palavra ou expressão que não descreve com exatidão o que se quer expressar, mas é adotada por não haver outra palavra apropriada - ou a palavra apropriada não ser de uso comum. Ex.: Não deixe de colocar dois dentes de alho na comida.
3. Sinestesia: Consiste na fusão de impressões sensoriais diferentes.
Ex.: Aquela criança tem um olhar tão doce.
4. Metáfora: É uma comparação feita entre dois termos sem o uso de um conectivo. Ex.: Eu sou um poço de dor e estupidez.
5. Disfemismo ou Cacofemismo: É uma figura de estilo (figura de linguagem) que consiste em empregar deliberadamente termos ou expressões depreciativas, sarcásticas ou chulas para fazer referência a um determinado tema, coisa ou pessoa, opondo-se assim, ao eufemismo. Expressões disfêmicas são freqüentemente usadas para criar situações de humor. Ex.: Comer capim pela raiz.
6. Hipérbole ou Auxese: É a figura de linguagem que consiste no exagero. Ex.: "Rios te correrão dos olhos, se chorares!".
7. Metonímia ou Transnominação: É a figura de linguagem que consiste no emprego de um termo por outro, dada a relação de semelhança ou a possibilidade de associação entre eles. Definição básica: Figura retórica que consiste no emprego de uma palavra por outra que a recorda. Ex.: Lemos Machado de Assis por interesse. (Ninguém, na verdade, lê o autor, mas as obras dele em geral).
8. Personificação ou Prosopopeia: É uma figura de estilo que consiste em atribuir a objetos inanimados ou seres irracionais sentimentos ou ações próprias dos seres humanos. Ex.: O Sol amanheceu triste e escondido.
9. Perífrase: Consiste no emprego de palavras para indicar o ser através de algumas de suas características ou qualidades. Ex.: Ele é o rei dos animais. (Leão). Ex.: Visitamos a cidade-luz. (Paris).
10. Ironia: Consiste em apresentar um termo em sentido oposto. Ex.: Meu irmão é um santinho (malcriado).
11. Eufemismo: Consiste em suavizar um contexto. Ex.: Você faltou com a verdade (Em lugar de mentiu).
12. Ironia: Sugestão pela entonação e pelo contexto de algo contrario que pensamos, geralmente com intenção sarcástica
13. Comparação: Como o próprio nome diz, essa figura de linguagem é uma comparação feita entre dois termos com o uso de um conectivo. Ex.: O Amor queima como o fogo.

IV. Figuras de sintaxe:
As figuras de sintaxe ou de construção dizem respeito a desvios em relação à concordância entre os termos da oração, sua ordem, possíveis repetições ou omissões.

Elas podem ser construídas por:
a) omissão: assíndeto, elipse e zeugma;
b) repetição: anáfora, pleonasmo e polissíndeto;
c) inversão: anástrofe, hipérbato, sínquise e hipálage;
d) ruptura: anacoluto;
e) concordância ideológica: silepse. Portanto, são figuras de construção ou sintaxe:

1. Assíndeto: Ocorre assíndeto quando orações ou palavras deveriam vir ligadas por conjunções coordenativas, aparecem justapostas ou separadas por vírgulas. Exigem do leitor atenção maior no exame de cada fato, por exigência das pausas rítmicas (vírgulas). Exemplo: "Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco,
“todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se.” (Machado de Assis).

2. Elipse: Ocorre elipse quando omitimos um termo ou oração que facilmente podemos identificar ou subentender no contexto. Podem ocorrer na supressão de pronomes, conjunções, preposições ou verbos. É um poderoso recurso de concisão e dinamismo.
Exemplo: "Veio sem pinturas, em vestido leve, sandálias coloridas." (elipse do pronome ela (Ela veio) e da preposição de (de sandálias...).

3. Zeugma: Ocorre zeugma quando um termo já expresso na frase é suprimido, ficando subentendida sua repetição. Exemplo: "Foi saqueada a vida, e assassinados os partidários dos Felipes." (Zeugma do verbo: "e foram assassinados"). (Camilo Castelo Branco).

4. Anáfora: Consiste na repetição de um termo para enfatizar uma idéia. Seus cabelos são como a asa da graúna, seus cabelos me encantam, seus cabelos possuem o cheiro das mais perfumadas rosas. Ocorre anáfora quando há repetição intencional de palavras no início de um período, frase ou verso. Exemplo: "Depois o areal extenso. Depois o oceano de pó. Depois no horizonte imenso. Desertos... desertos só." (De Castro Alves).

5. Pleonasmo: Ocorre pleonasmo quando há repetição da mesma idéia, isto é, redundância de significado.
a) Pleonasmo literário: É o uso de palavras redundantes para reforçar uma idéia, tanto do ponto de vista semântico quanto do ponto de vista sintático. Usado como um recurso estilístico enriquece a expressão, dando ênfase à mensagem. Exemplo: Iam vinte anos desde aquele dia. Quando com os olhos eu quis ver de perto. Quando em visão com os da saudade via. (Autor Alberto de Oliveira). "Morrerás morte vil na mão de um forte." (Gonçalves Dias). "Ó mar salgado, quando do teu sal. São lágrimas de Portugal (Fernando Pessoa).
b) Pleonasmo vicioso: É o desdobramento de idéias que já estavam implícitas em palavras anteriormente expressas. Pleonasmos viciosos são erros e devem ser evitados, pois não têm valor de reforço de uma idéia, sendo apenas fruto do descobrimento do sentido real das palavras. Exemplos: Subir para cima / entrar para dentro / repetir de novo / ouvir com os ouvidos / hemorragia de sangue / monopólio exclusivo / breve alocução / principal protagonista.

6. Polissíndeto: Ocorre polissíndeto quando há repetição enfática de uma conjunção coordenativa mais vezes do que exige a norma gramatical (geralmente a conjunção e). É um recurso que sugere movimentos ininterruptos ou vertiginosos. Exemplo: "Vão chegando às burguesinhas pobres, / e as criadas das burguesinhas ricas / e as mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza. (Manuel Bandeira).

7. Anástrofe: Ocorre anástrofe quando há uma simples inversão de palavras vizinhas (determinante/determinado). Exemplo: "Tão leve estou (estou tão leve) que nem sombra tenho. (Mário Quintana).

8. Hipérbato: Ocorre hipérbato quando há uma inversão completa de membros da frase. Exemplo: "Passeiam à tarde, as belas na Avenida.” (As belas passeiam na Avenida à tarde). De Carlos Drummond de Andrade.

9. Sínquise: Ocorre sínquise quando há uma inversão violenta de distantes partes da frase. É um hipérbato exagerado. Exemplo: "A grita se alevanta ao Céu, da gente.” (A grita da gente se alevanta ao Céu).

10. Hipálage: Ocorre hipálage quando há inversão da posição do adjetivo: uma qualidade que pertence a um objeto é atribuída a outro, na mesma frase. Exemplo: "... as lojas loquazes dos barbeiros." (as lojas dos barbeiros loquazes.) (Eça de Queiros).

11. Anacoluto: Ocorre anacoluto quando há interrupção do plano sintático com que se inicia a frase, alterando-lhe a seqüência lógica. A construção do período deixa um ou mais termos - que não apresentam função sintática definida - desprendidos dos demais, geralmente depois de uma pausa sensível. Exemplo: "Essas empregadas de hoje, não se pode confiar nelas." (Alcântara Machado).

12. Silepse: Ocorre silepse quando a concordância não é feita com as palavras, mas com a idéia a elas associada.
a) Silepse de gênero: Ocorre quando há discordância entre os gêneros gramaticais (feminino ou masculino). Exemplo: "Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito." (Guimarães Rosa).
b) Silepse de número: Ocorre quando há discordância envolvendo o número gramatical (singular ou plural).
Exemplo: Corria gente de todos os lados, e gritavam. (Mário Barreto).
c) Silepse de pessoa: Ocorre quando há discordância entre o sujeito expresso e a pessoa verbal: o sujeito que fala ou escreve se inclui no sujeito enunciado. Exemplo: "Na noite seguinte estávamos reunidas algumas pessoas." (Machado de Assis).

13. Léxico: léxico poderia ser definido como o acervo de palavras de um determinado idioma. Em outras palavras, é todo o conjunto de palavras que as pessoas de uma determinada língua têm à sua disposição para expressar-se, oralmente ou por escrito. Podemos dizer que uma característica básica do léxico é sua mutabilidade, já que ele está em constante movimento. É só notarmos o fato de que palavras se tornam arcaicas, outras são incorporadas, outras mudam seu sentido, e, tudo isso ocorre de forma gradual e quase imperceptível.
O sistema léxico de uma língua traduz a experiência cultural acumulada por uma sociedade através do tempo, ou seja, o léxico pode ser considerado como o patrimônio vocabular de uma comunidade lingüística através de sua história, um acervo que é transmitido de uma geração para a geração seguinte. Uso léxico da palavra é um pouquinho complicado de ter domínio disso, mas é fácil de compreender. Cada palavra tem um sentido, uma interpretação e carrega um sentimento ao leitor. Esse leitor também tem sua interpretação pessoal sobre cada palavra, embora na maioria das vezes se aproximem da mesma interpretação.

V. Na língua portuguesa, o significado das palavras leva em consideração:
1. Sinonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais que apresentam significados iguais ou semelhantes, ou seja, os sinônimos: Exemplos: Cômico - engraçado / Débil - fraco, frágil / Distante - afastado, remoto.
2. Antonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais que apresentam significados diferentes, contrários, isto é, os antônimos: Exemplos: Economizar - gastar / Bem - mal / Bom - ruim.
3. Homonímia: É a relação entre duas ou mais palavras que, apesar de possuírem significados diferentes, possuem a mesma estrutura fonológica, ou seja, os homônimos: As homônimas podem ser:
4. Homógrafas: palavras iguais na escrita e diferentes na pronúncia. Exemplos: gosto (substantivo) - gosto / (1ª pessoa singular presente indicativo do verbo gostar) / conserto (substantivo) - conserto (1ª pessoa singular presente indicativo do verbo consertar);
5. Homófonas: palavras iguais na pronúncia e diferentes na escrita. Exemplos: cela (substantivo) - sela (verbo) / cessão (substantivo) - sessão (substantivo) / cerrar (verbo) - serrar ( verbo);
6. Perfeitas: palavras iguais na pronúncia e na escrita. Exemplos: cura (verbo) - cura (substantivo) / verão (verbo) - verão (substantivo) / cedo (verbo) - cedo (advérbio).
7. Paronímia: É a relação que se estabelece entre duas ou mais palavras que possuem significados diferentes, mas são muito parecidas na pronúncia e na escrita, isto é, os parônimos: Exemplos: cavaleiro - cavalheiro / absolver - absorver / comprimento - cumprimento/ aura (atmosfera) - áurea (dourada)/ conjectura (suposição) - conjuntura (situação decorrente dos acontecimentos)/ descriminar (desculpabilizar) - discriminar (diferenciar)/ desfolhar (tirar ou perder as folhas) - folhear (passar as folhas de uma publicação) / despercebido (não notado) - desapercebido (desacautelado)/ geminada (duplicada) - germinada (que germinou)/ mugir (soltar mugidos) - mungir (ordenhar)/ percursor (que percorre) - precursor (que antecipa os outros)/ sobrescrever (endereçar) - subscrever (aprovar, assinar)/ veicular (transmitir) - vincular (ligar) / descrição - discrição / onicolor - unicolor.
8. Polissemia: É a propriedade que uma mesma palavra tem de apresentar vários significados. Exemplos: Ele ocupa um alto posto na empresa. / Abasteci meu carro no posto da esquina. / Os convites eram de graça. / Os fiéis agradecem a graça recebida.
09. Homonímia: Identidade fonética entre formas de significados e origem completamente distintos. Exemplos: São (Presente do verbo ser) - São (santo).
10. Conotação. é o uso da palavra com um significado diferente do original, criado pelo contexto. Exemplos: Você tem um coração de pedra.
11. Denotação é o uso da palavra com o seu sentido original. Exemplos: Pedra é um corpo duro e sólido, da natureza das rochas.

Conclusão: O estudo dos semantemas é difícil, pois são em número infinito e sua significação fluída, sujeita às variações sincrônica, sintópica etc.
A polissemia faz da significação dos semantemas um conglomerado de elementos e não é um elemento único.
Semântica é o estudo do significado, isto é a ciência das significações, com os problemas suscitados sobre o significado: Tudo tem significado? Significado é imagem acústica, ou imagem visual? O homem sempre se preocupou com a origem das línguas e com a relação entre as palavras e as coisas que elas significam, se há uma ligação natural entre os nomes e as coisas nomeadas ou se essa associação é mero resultado de convenção. Significante é a parte física da palavra (os fonemas e as letras). Significado é o sentido da palavra que provoca na mente do ouvinte ou do leitor uma imagem ou uma idéia de determinada coisa que estamos apresentando.

02. A BÍBLIA E A LINGUAGEM FIGURADA
1. Metáfora – É a figura em que se afirma que algumas coisas é o que ela representa ou simboliza, ou com o que se compara. A metáfora só se distingue do símile por lhe faltar o elemento de comparação que há neste.
Quando Isaías, por exemplo, falando do Messias diz: “porque foi subindo como renovo”, emprega um símile, uma comparação, em que não há figura. Quando, porém, o Senhor diz através de Zacarias: “Eis que eu farei vir o meu servo, o Renovo”, temos uma verdadeira metáfora; metáfora, portanto, é um objeto tomado por outro.
2. Metonímia – É uma coisa tomada por outra, com relação de:
Causa pelo efeito: “Têm Moisés e os profetas” (Lc 16.29 b).
Efeitos pela causa: “Duas nações há no teu ventre” Gn 25.23 a.
3. Sinédoque – É a substituição de uma idéia por outra que lhe é associada. Por exemplo: Do gênero pela espécie – do geral pelo particular: “Então saiam a ter com ele Jerusalém, toda a Judéia e toda a circunvizinhança do Jordão”. Da espécie pelo gênero, o particular pelo geral: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje”. Do todo pela parte: “és pó e ao pó tornarás”. Da parte pelo todo: “Do suor do rosto comerás o teu pão”.
4. Hipérbole – É a afirmação em que as palavras vão além da realidade literal das coisas, isto significa: um aumento ou diminuição exagerada da realidade das coisas; faço nadar o meu leito, com as minhas lágrimas (Sl 6.6). As cidades são grandes e fortificadas até os céus (Dt 1.28).
05. Ironia – É a expressão de um pensamento em palavras que, literalmente se entendida e exprime o pensamento ou Sentido oposto.

Este sentido irônico foi usado por Deus como exemplo sem expressa uma ação de ira: veja exemplo a seguir.
• Usada por Deus: (Gn 3. 22 b) “Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal. “Clamai aos deuses que escolhestes, eles que vos livrem no tempo de vosso aperto”.
• Usadas por homens: “Na verdade, vós sois o povo e convosco morrerá a sabedoria”. “ó tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas! Te salva a ti mesmo, se tu és Filho de Deus! E desce da cruz!”.
06. Prosopopéia – É a personificação de coisas ou de seres irracionais. Exemplos: “Todos os meus ossos dirão: Senhor, quem contigo se assemelha”?”Pergunta agora às alimárias e cada uma delas te ensinará; e às aves dos céus, e elas to farão saber”. Voz do sangue de teu irmão clama da terra a mim.
07. Antropomorfismo – É a linguagem que atribui a Deus ações e faculdades humanas, até órgãos e membros do corpo humano, é uma comparação de Deus como homem; Exemplos: (Gn 8. 21) “E o Senhor aspirou o suave cheiro e disse consigo mesmo. “Por que retirais a tua mão, sim, a tua destra, e a conservas no teu seio?
08. Enigma – É a enunciação duma idéia em linguagem difícil de entender. Não é do domínio geral das escrituras. Apenas temos enigma propriamente dito no caso de Sansão com os Filisteus. “Do comedor saiu comida, e do forte saiu doçura”.
09. Alegoria – É a narrativa em que as pessoas representam idéias ou princípios. As narrativas bíblicas são históricas, verídicas e não alegorias. Temos, no entanto, uma interessante aplicação alegórica feita por Paulo do incidente de Agar e Sara e seus respectivos filhos. E também nos dois filhos de Abraão como os dois concertos da Lei e da Graça em (Gl 4. 22. 23).
10. Tipo – é a representação de pessoa ou transação futura na esfera espiritual ou religiosa por meio de transação, pessoas ou coisas do mundo material que tenham com elas certa correlação de analogia ou mesmo de contraste. Um tipo é uma semelhança divinamente ordenada pela qual uma, pessoas, objetos, e eventos celestiais são demonstrados pelos terrestres.
(1º) - Um tipo é uma pessoa, coisa, ou objeto material, que representada, ou prefigurando, outra na ordem elevada, ou espiritual. – Um antítipo – É um objeto de ordem elevado ou espiritual, representado ou prefigurado: que passamos a chamar de antítipo.
11. Símbolo – é o emprego de algum objeto material para representar coisas espirituais.
12. Parábola – É uma narrativa em que as pessoas e fatos correspondem ás verdades morais e espirituais, ou ainda, é uma ilustração, ou uma forma de história colhida da natureza, ou de ocorrências diárias normais, que lança luz sobre uma lição moral ou religiosa. Conhecido no antigo Israel, o ensino através de parábolas alcançou o seu apogeu no ministério terreno de Jesus Cristo.

Propósitos do uso de parábolas: Particularmente Jesus usou parábolas em seus ensinamentos para ensinar seus discípulos e os ouvintes; pelo menos por duas razões:
(1º) Porque o ensino por parábolas lançava luz sobre a verdade que está sendo ensinada.
(2°) Encobrir a verdade aos não receptivos, à revelação de Cristo como Messias de Deus. “Por que lhes fala por parábolas? Jesus respondeu: Porque a vós outros são dados conhecer os mistérios dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido”. As parábolas revelam verdades desconhecidas com base em verdades e fatos conhecidos. Para isso lança mão de acontecimentos popularmente conhecidos, como a perda duma moeda, uma luz que brilha no escuro, um lavrador que lançar a semente no campo, um homem rico e um homem pobre, a construção duma casa, etc.
Apesar de usar elementos terrenos, a parábola sempre contém uma lição de cunho espiritual; há sempre uma analogia entre o espiritual e a ilustração terrena usada na parábola.

Como compreender as parábolas: Há quatro coisas que devemos ter em mente se desejamos compreender as parábolas de Jesus. E são elas as seguintes.
(1º) – Todas as parábolas nos Evangelhos estão relacionadas com Jesus Cristo e seu reino. Portanto, a primeira pergunta que você deve fazer para si mesmo é: em que esta parábola tem a ver com Jesus Cristo? Lembre se que na parábola do joio em (Mt 13. v 37) Quando Jesus interpretou essa parábola, ele falou de si mesmo dizendo: O que é semeado a boa semente, é o filho do homem.
(2º) – As parábolas devem ser estudadas a luz dos lugares e época a que ela se relaciona. A maneira ideal é ter conhecimento dos costumes e cultura Bíblica da época, isso torna mais fácil o entendimento. Por exemplo; para entender a parábola da moeda, ou seja, da dracma perdida é necessário saber que as mulheres do antigo orientem seus recursos financeiros era em dinheiro de moeda e jóias preciosas, e isto lhe representavam muito valor, essa era a razão que uma mulher ao perder uma moeda ficava muito ansiosa. (Lc 15. 8).
(3º) – Observe a explicação das parábolas dadas por Jesus. Muitas das vezes essa explicação vem em seguida à próprias parábolas, ou
Seja, logo após alguns versículos, por exemplo; veja em (Lc 15.7).
A explicação é antecedida pelas palavras: “digo-vos que assim.
(4º) – Compare os ensinamentos apresentado nas parábolas com o contexto: o contexto é a parte antes e depois do texto; essa é uma das regras principal da Hermenêutica.



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