3 de jul de 2011

FLÁVIO JOSEFO UM GRANDE HISTORIADOR JUDEU 
Flávio Josefo, ou apenas Josefo (em latim Flavius Josephus; seu nome hebraico Yosef ben Matityahu.
Neste artigo nosso objetivo é mostrar a relevância histórica de Flávio Josefo, como testemunha de acontecimentos importantes do século I e, por conseqüência sua obra, que irá contribuir para a pesquisa histórica do Novo Testamento. Historiador judeu nascido em 37/38 d.C. e, falecido no início do segundo século. Gostaria de destacar seis momentos fundamentais em sua história:
1º- A origem aristocrática de Josefo, sua ligação com os asmoneus, seus estudos e sua formação.
2º- A experiência do deserto na adolescência e a opção religiosa. Casamento e reintegração na vida da família em Jerusalém.
3º- A viagem a Roma: o aristocrata provinciano que vê a grandeza e o poderio do Império. A influência deste fato no seu confronto posterior com Roma.
4º- O comando da Galiléia, a contemporização, a derrota, a suspeita sobrevivência, a “profecia” feita a Vespasiano.
5º- De prisioneiro a amigo dos romanos no cerco de Jerusalém. Ao lado de Tito, sua teologia é: Deus abandonou os judeus e agora está com os romanos (traição teológica).
6º- Sua condição privilegiada em Roma, as rivalidades e os ciúmes, a obra histórica: encomenda e defesa.

Procurei sempre olhar para Flávio Josefo como autor e intérprete: Que participou dos acontecimentos importante na história dos Judeus e dos romanos. Objetivamente ele foi chamado de um traidor de seu povo: este é o olhar crítico sobre ele. Entretanto, ele não se vê como traidor, mas modelo: a visão de si mesmo que aparece na sua obra será destacada. Os textos de Flávio Josefo citados neste artigo estão em JOSEFO, F. História dos Hebreus: Obra Completa. Tradução do grego para o português pela Casa Publicadora das Assembléias de Deus.

Assim diz Josefo em sua Autobiografia: “Minha família não é destituída de glória, oriunda como é de sacerdotes. Os diversos povos têm cada um deles, sua maneira própria de fundamentar a nobreza; entre nós, são as afinidades com o sacerdócio que atestam o cunho ilustre de uma família. Ora, no meu caso, não somente minha família é de raça sacerdotal, mas ainda pertence à primeira das vinte e quatro classes- distinção muito apreciável- e é mais importante do que a mais ilustre de suas tribos. Eu mesmo sou, por parte de minha mãe de raça real, porque os descendentes de Asmon, seus antepassados, foram durante um período bem longo sumos sacerdotes e reis de nosso povo... Eu nasci de Matias, no primeiro ano do reinado de Caio César (cognominado Calígula). Tenho três filhos: o mais velho, Hircano, nasceu no quarto ano do reinado de Vespasiano César, Justo, no sétimo ano, Agripa, no nono ano”.

1º- Origem: Flávio Josefo nasceu em Jerusalém, em 37 ou 38 d.C., de uma rica família da aristocracia sacerdotal asmonéia. Eis como descreve em sua Autobiografia, com orgulho, sua origem aristocrática, para "desmanchar as calúnias de meus inimigos”: “Como eu tenho a minha origem numa longa série de antepassados de família sacerdotal, eu poderia vangloriar-me da nobreza do meu nascimento, pois cada nação, estabelecendo a grandeza de uma família, em certos sinais de honra que a acompanham, entre nós um das mais notáveis, é ter-se a administração das coisas santas. Mas eu não sou somente oriundo da família dos sacrificadores, eu sou também da primeira das vinte e quatro linhas que a compõem e cuja dignidade está acima de todas. A isso eu posso acrescentar que, do lado de minha mãe eu tenho reis, entre meus antepassados. O ramo dos asmoneus, de que ela é proveniente, possuiu durante um longo tempo, entre os hebreus, o reino e a suprema sacrificadura.

Nasci de Matias no primeiro ano do reinado do imperador Caio César o imperador romano Calígula, que reinou de 37 a 41 d.C.. Quanto a mim, tenho três filhos, o primeiro dos quais, chamado Hircano, nasceu no quarto ano do reinado de Vespasiano imperador romano que governou de 69 a 79 d.C. O segundo chama-se Justo, nasceu no sétimo e o terceiro, de nome Agripa, no nono ano de reinado do mesmo imperador.

2º- Formação: Aos 13 anos entra em contato com as três principais tendências do judaísmo do século I d.C., desenvolvidas pelos saduceus, fariseus e essênios, mas ainda não decide abraçar nenhuma delas. “Quando fiz treze anos desejei aprender as diversas opiniões dos fariseus, dos saduceus e dos essênios, três seitas que existem entre nós, a fim de, conhecendo-as, eu pudesse adotar a que melhor me parecesse. Assim, estudei-as todas e experimentei-as com muitas dificuldades e muita austeridade.

Flávio Josefo recebe uma formação judaica sofisticada. Diz ele em sua Autobiografia: “Fui educado desde minha infância no estudo das letras, com um dos meus irmãos de pai e mãe, que tinha como ele o nome de Matias. Deus deu-me bastante memória e inteligência e eu fiz tão grande progresso que tendo então só catorze anos, os sacrificadores e os mais importantes de Jerusalém se dignaram perguntar minha opinião sobre o que se referia à interpretação das leis.

Segundo Mireille Hadas-Lebel: “a natureza do ensino recebido por Josefo não deixa nenhuma dúvida: trata-se de um ensino puramente religioso, baseado na Torá. De fato, julga-se que os livros sagrados contêm o saber essencial ao homem para que conduza sua vida neste mundo. Neles, ele pode encontrar um código cultural, moral, social, político, assim como a história do universo e das gerações humanas, todas as coisas que ele sabe dever vincular a uma divindade única e onipresente.
Fui educado junto com o meu irmão Matias, irmão por parte de pai e mãe. Meus grandes progressos nos estudos conquistavam-me a fama de ter memória e inteligência superiores.
Mal saíra eu da infância e atingira os quatorze anos, todos já me felicitavam pelo meu amor ao estudo, pois constantemente os sumo-sacerdotes e as pessoas importantes da cidade vinham-me ao encontro para aprender comigo este ou aquele ponto mais particular de nossas leis.
Com dezenove anos então, eu já começava a orientar minha conduta de acordo com os princípios da seita dos fariseus, a qual apresenta semelhanças com a que os gregos chamam de escola do Pórtico. (“Autobiografia” 1-2,4-5, 7-12).

3. A Viagem a Roma: No ano 64 d.C., com 26 anos de idade, Josefo vai numa embaixada a Roma para interceder junto a Nero por alguns sacerdotes judeus ali retidos não se sabe bem por que, já que Josefo é muito sucinto na sua Autobiografia: “Na idade de vinte e seis anos fiz uma viagem a Roma, por esta razão. Félix, governador da Judéia, mandou por um motivo qualquer alguns sacrificadores, homens de bem e meus amigos particulares, para se justificarem perante o imperador; eu desejei, com muito entusiasmo, ajudá-los, quando soube que sua infelicidade em nada havia diminuído sua piedade e eles se contentavam em viver com nos e”. Através da imperatriz Popéia, esposa de Nero, Josefo obteve “sem dificuldade a absolvição e a liberdade daqueles sacrificadores por intermédio dessa princesa, que me deu grandes presentes, também, com os quais regressei ao meu país”.

O brilhante sucesso desta missão colocou Josefo em respeitável posição frente aos seus conterrâneos. Mas não é apenas este o efeito da viagem a Roma. O jovem aristocrata provinciano viu, pela primeira vez, a grandeza e o poderio de Roma, a maior e mais poderosa cidade do mundo de então. Isto vai influenciar sua avaliação da guerra que se seguirá. Diz o nosso personagem a propósito: “Lá em Roma encontrei alguns espíritos inclinados às mudanças que começavam a lançar as raízes de uma revolta contra os romanos. Procurei dissuadir os sediciosos e lhes fiz ver, entre outras coisas, como tão poderosos inimigos lhes deviam ser temíveis, quer pela sua ciência na guerra, quer pela grande prosperidade e eles não deviam expor temerariamente a tão grande perigo suas mulheres, seus filhos e sua pátria”.

Quando retorna encontra a nação começando uma revolta contra os Romanos. Em 66 d.C. As autoridades de Jerusalém apoiaram uma insurreição, organizaram a revolta e prepararam a resistência. Flávio Josefo ficou encarregado da defesa da Galiléia. Procurou a pacificação, e organizou a região. Percebendo a impossibilidade de vitória, queria que o conflito fosse evitado. Em 67 tropas romanas com sessenta mil homens, lideradas pelo General Vespasiano entram na Galiléia. Josefo se refugia em Jotapata, uma cidadela fortificada, que a defende. Sucumbida à cidade, Josefo com mais quarenta soldados se escondem em uma caverna. Escapando com outro soldado do suicídio coletivo, entrega-se. Tendo previsto que Vespasiano e seu filho Tito seriam imperadores, foi salvo. Em 69 Vespasiano se torna imperador, e Josefo é solto. Serviu de intermediário quando Tito vai a Jerusalém. Depois da queda de Jerusalém segue para Roma. Torna-se cidadão romano, adotando o nome gentílico de Flávio. Foi beneficiado com uma pensão imperial. Morreu provavelmente no início do século II. De acordo com Eusébio de Cesárea, foi erguida uma estátua de Flávio Josefo, e suas obras colocadas na biblioteca pública. Por outro lado, Flávio Josefo foi considerado como traidor pelo seu povo.

AS OBRAS DE FLÁVIO JOSEFO FORAM:
1º- Guerra dos Judeus: Escrita primeiramente em aramaico, língua materna de Flávio Josefo. Depois em grego, com assistentes. Publicada poucos anos antes do fim da guerra em 78. Começa com a intervenção de Antíoco Epífanes (175 a.C.) indo até Massada em 74 d.C.
2º- Antiguidades Judaicas: É uma coleção de vinte livros, contendo a história de Israel desde a criação até o governo do procurador Géssio Floro em 64 d.C..
3º- Autobiografia: Esta obra está como apêndice a Segunda edição das Antiguidades. Encontram-se breves resumos de sua juventude, anos passados em Roma.
4º- Contra Apião: Trata-se de uma apologia do judaísmo e responde às críticas levantadas pela publicação de Antiguidades. Apião é o representante dos inimigos de Israel. Nesta obra quer mostrar a Antigüidade dos judeus.

Conclusão: As obras de Josefo, servem como apoio à pesquisa do período intertestamentário: Encontramos em suas obras nomes de pessoas conhecidas no Novo Testamento como, por exemplo, membros da família de Herodes, nomes de sumo-sacerdortes. Às vezes comentário direto sobre referências do Novo Testamento como Judas da Galiléia (Atos 5.37).

         E também  seus comentários e citações sobre as Escrituras Sagradas são muito importante e servem como uma testemunha dos acontecimentos Bíblico no período apostólico.

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Foto de Flávio Josefo quando foi Governador da Galileia

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